Poetas da Geração 80

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UBIRAJARA MELLO DE ALMEIDA


Biografia Insana.

Bem, nasci no Rio de Janeiro, em 1.9.1950, muito tempo né? Era louco para ser rapaz, nem notava que o tempo se encarregaria de fazer isso rapidamente. Aos 12 manos inicei minha vida boêmia, tomando destilados e fumando cigarros da época, sem filtro e com sabor de juventude transviada. Meus pais eram comunistas, o velhom passou um bom tempo nas grades getulistas, em 1956 viemos para Alagoas, minha tia casou com um homem rico que precisava de um braço direito. Aos 14 estava novamente no Rio, lá conheci a nova onda da música "Beatles", nossa, pirei, usava meus cabelos iguais aos deles. Preferi voltar pra casa e lá, devarzinho iam chegando os cabeludos, em pouco tempo a cannabis sativa entrou em minha vida, minha cabeça virou, surgiram novos sons, Hendrix, Joplin, Cream, Page. Ao lado disso tudo não abondonei minhas leituras, minhas músicas para concerto, minhas pinturas, conhecia tudo, ia do rock ao jazz passando pela mpb e Paganini, Bach, Beethoven, Brahms. Ah, teve tbm a Jovem Guarda, morava no interior mas visitava o Rio sempre, em Maceió, conheci muitos malucos intelectuais e misturávamos tudo: leitura, música, bebidas, drogas. Que tempo!
Esse lado bonzinho da JG e do Carnaval não eram tão bonzinhos assim, rolavam coisas estranhas ao grupo, tipo ligação, sofria influencia de de Lennon, hippies, beatniks literatos e os grandes da literatura. Sempre convivi com o bem e o mal, numa boa. Fui criado pela primeira feminista que conheci, minha mãe, stalinista ferrenha, tratava-me como se estivesse por trás da cortina de ferro de stalingrado. Meu superego tornou-se minha prisão, contralava-me com os excessos de loucuras. A barba cresceu, o cabelo tbm, passei a ser um estranho, uma barata kafkiana, andava com figuras que me refletiam e desapareci na escuridão das viagens. Naquela época não dançávamos, acendíamosm um incenso e ficávamos numa posição budista e depois arroz integral. Roupa, só uma camisa, uma calça, sandália de plástico e pouco banho. Dormíamos no chão, muito som e a cannabis era nosso alimento. Cheguei a pesar 46k, tenho 1.70 de altura mas todos estavam no mesmo barco. Éramos donos da vida, todo sábado nos encontravámos para trocar discos, era uma doideira e uma felicidade ímpar. Chegar em casa com novidades musicais era sinônimo de gastar neurônios. Morávamos numa casa alugada, garotas e garotos, vivvíamos nus, saíamos a noite pelo mato para viajar, era lindo ouvir os sapos e ver os vagalumes acendendo e pagando nossa visão, ascendíamos aos céus com cogumelos coloridos.bai Olhaí, valumes é vagalumes; pagando é apagando, deu pra sacar né? Bem, isso durou até 1980, tinha chegado aos 30 anos e lembrei-me daquela frase anarco-filosófica: não confie em ninguém com mais de 30 anos. Nossa, é verdade. Parei na contramão, tinha que ajeitar minha vida, trabalhar, meus pais já estavam velhos e não queria ser maiis o estorvo na vida deles, não parei com tudo de uma vez só, consegui emprego, através de concursos, e fui trabalhar mas continuava com minhas loucuras, agora em Maceioó. Lá em Recife, morávamos numa casa alugada, e não tinha nada, geladeira, fogão, apenas um som para as nossas viagens e esteiras para dormirmos, ninguém tomava banho, íamosm pra faculdade chapados e voltávamos afim de uma ligação. Comida era coisa rara, passei muita fome mas não sentia, a juventude e a vontade de viver eram meus alimentos. Chegava a noite, e tome festa, e loucuras, todos os dias, roubávamos pra comer nos supermercados e eu era um grande ladrão de livros, roubei em todas as livrarias de Maceió e Recife. Formei uma boa biblioteca, quando comecei a trabalhar comprei mais e mais livros, tinha uma biblioteca invejável. Sabia conviver com os caretas e os malucos mas chegou uma hora que tive de decidir, fiquei com os malucos. Note bem, as épocas estão misturadas, arrumar o tempo ficaria mais complicado, claro tinha maluco em todo lugar mas o superego me controlova e eu gostava disso. Quando estava com meus pais, era uma figura normal, com a caretice ficava careta mas não de todo, sempre tive minhas opiniões formada sobre tudo, tinha iluminação própria. Não devo esquecer que fui macrobiótico, não sei se por falta de grana ou por influência dos vegetarianos, passei um ano nessa onda, foi aí que pesei 46 k, abandonei por não concordar com a paranóia desses caras, não podíamos usar nem sandália de couro, tudo bem. Essa foi e ainda por muito tempo a parte gostosa das transgressões sensuais, sem remorsos, sem a autoridade vigente, vivíamos a época da ditadura, éramos alienados a tudo, confabulávamos com a felicidade a qualquer momento mas a infelicidade era o precipício a cada passo, a geléia geral brasileira deslavada, a confusão levada a sério segundo nossas normas, vinho, mulheres e músicas, no sentido luterano mas sem sermos evangélicos, o livre acesso sensorial da liberdade sem freios, um filme que parecia não ter fim, com fin al feliz. Quando chegou a hora da verdade, ainda vivíamos sonhando e continuamos do mesmo jeito apesar da morte prematura de alguns, das traições e do esfacelamento dos inssociáveis, restaram poucos elementos. Assassinatos, prostituição, tráfico, desaparecimentos, formaram o pano de fundo para o desmoronamento dos césares que dominaram um pequeno espaço do mundo e nos conquistaram por décadas. abraços .


*****


Entrevista revista na "Órfãos Literários".

Revista - Vc tem algum livro de poemas publicado?
Ubirajara - Não, nunca tive chance, nem dinheiro, ser artista é difícil por estas paragens.
Revista -
Quando começou suas aventuras literárias?
Ubirajara - Cedo, muito cedo, meu pai comprava livros pelo correio e eu ia pegá-lo, foi uma experiência incrível em minha vida. De calças curtas chegava ao Correio e ficava perdido lá dentro, alguém me atendia e ia ao guichê e pegava o livro. Meu pai tinha uma biblioteca considerável, aos 15 anos já conhecia os grandes escritores mundiais.
Revista - Como e quando vc começou a escrever? Vc percebeu que tinha algum talento para esta tarefa?
Ubirajara - Comecei a escrever versos com 14 anos. Tinha um primo, Roberval Almeida, grande poeta, compunha no instante em que sua veia poética aflorasse.
Ele ensinou-me quase tudo, ele me explicava sobre o quê escrevia, sobre métrica e passei a escrever mas não guardei as provas.
Revista - Vc se considera um poeta?
Como pessoa sim, como escritor não sou lá grandes coisas. Quando partir, os que me conheceram, conversaram comigo e me leram ao falar, saberão que um grande poeta se foi.
Revista - Cite um grande poeta que vc conheça?
Ubirajara - Cícero Melo, este é dos bons, não sei p q ele é desconhecido por aqui,
literatura não é o forte neste país.

26/04/2012 Publicada por Cicero Melo

  
12/06/2012 12:31
ailton

Se você tem Smart TV esse é o site www.tvhd.com.br

ailtonpitbul@hotmail.com salvador /bahia


26/04/2012 15:49
Valdemir Brandão Matos

Ubirajara é um dos meus melhores amigos. Aquele cara com quem posso falar as minha verdades e abrir às páginas dos meus mais intrínsecos sentimentos. Um poeta nato, de alma aberta, de muita sabedoria e sensibilidade. Mas o que gosto mais no Birinha, além dos seus poemas, é o seu jeito engraçado de chegar a quer que vá. Onde esse cara chega a alegria imediatamente se implanta e todos se voltam para ele: com admiração, respeito e muito carinho. Velho Ubirajara, eu te amo. Seu amigo e camarada de tanto tempo. Valdemir Brandão.

vbmatos@uol.com.br


26/04/2012 12:57
Efigenia

Ele já sabe que sou sua FÃ, que amo seus versos, sua alma, e claro ele também. Meu celular é Tim..risos Abralos Efigenia

mariaefigenia590@gmail.com www.avspe.eti.br/ BC/ SC


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