Poetas da Geração 80

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NATANAEL LIMA Jr


Pernambucano do Cabo de Santo Agostinho, cidade da RM do Recife e radicado em Jaboatão dos Guararapes desde 1990. É membro da Academia de Estudos Literários e Linguísticos de Anápolis, GO e da Academia Cabense de Letras, PE. Têm poemas publicados em diversas antologias, jornais, revistas literárias, blogs e sites de Pernambuco e de outros estados.

Editou, na década de 80, os Alternativos Poéticos “PARA NÃO NOS ESQUECERMOS”
(1984) e “SÓ(L) DE VERSOS” (1985). O seu poema “Efêmeros” foi classificado entre os cem melhores poemas do Prêmio TOC140, Poesia no Twitter da Fliporto 2010. Recentemente, dois poemas de sua autoria foram classificados no XXXIII Concurso Internacional Literário, promovido pela Edições AG, São Paulo. Participou da coordenação executiva da IFeira Literária do Jaboatão dos Guararapes – Fliguara 2011. Idealizador do projeto de criação da Casa do Poeta Jaboatonense “Alberto da Cunha Melo”. Atualmente exerce o cargo de assessor de Relações Públicas da Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes e edita o blog literário “Domingo com Poesia”.

Livros

Clarear – Edições Pirata, 1982;
Universo dos Meus Versos – Edições Grumete, 1983;
Folhas Poéticas – Edições Grumete, 1985;
À espera do último girassol & outros poemas – Edições Bagaço, 2011

Participação em Coletâneas

Andanças Poéticas, organizada pelo escritor Paulo César dos Santos da Academia
Petropolitana de Poesia Raul de Leoni, Rio de Janeiro, 1986;

Poesias e Crônicas de uma Terra de 500 anos, organizada pela Secretária Executiva de Cultura
da Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, 2001;

Prêmio TOC140, Poesia no Twitter, organizada e editada pela Carpe Diem, Fliporto Digital 2010

Blog

www.domingocompoesia.blogspot.com

Sobre o seu livro mais recente escreveu o Leitor Luiz Carlos Monteiro:


UM GIRASSOL DE SONHO E ESPERANÇA

Uma das coisas que podem definir o destino e a repercussão de uma obra é justamente o seu título. Porque mesmo os leitores mais exigentes não escapam à sugestão de um título bem-arranjado. Contudo, não apenas o limiar de uma casa a faz ser conhecida por dentro. É preciso que sejam verificadas suas dependências para se ter uma ideia da estrutura interna que a compõe. Com relação à poesia de Natanael Lima Jr., o título que escolheu para este livro – À espera do último girassol – serve com justeza aos conteúdos e à proposta poética encetada. No mesmo passo, tal título qualifica e enfatiza o poema homônimo presente nestas páginas, sendo isso o que demonstram as imagens fortes e conflitantes nele identificadas: “Podar o sonho, recriá-lo/ no chão batido da alma/ entre nuvens e jardins/ entre rimas e cantos/ e lábios e voz.// Podar o amanhã, reinventá-lo/ à luz de uma nova batalha/ entre mãos que sangram/ e corações que pulsam.// Podar a esperança, renová-la/ ao sol de cada manhã/ entre brotos, folhas,/ flores e frutos,/ à espera do último girassol.”

O ofício do poeta compara-se inicialmente ao ofício do jardineiro. O lavrador de sonhos, para fazer renascer um futuro imaginado, deve ensejar a poda do que é restante, ainda que isso doa à sua própria sensibilidade. Pois de algum modo irá sacrificar pedaços inúteis e apodrecidos de árvores, flores e frutos, vendo escorrer seiva, raízes e sementes. Mas será compensado pelas novas nuances do sonho que retornarem na poesia e na fala. Como se a luta constante e o sofrimento humano se amenizassem na espera reinventada. A esperança vai ser mantida através da experiência paradoxal do que se sonhou e não se viveu e que agora se revela num tempo caracterizado por um caos galopante e progressivo. Esta não é uma tarefa fácil, e apenas a poesia será capaz de reaquecer essa esperança ainda viva, que tem necessidade de ser alimentada constantemente.

Em outros poemas logra desenvolver mais temas de sua preferência: a solidão e o companheirismo, o tempo e as coisas ditas universais, o silêncio e a dicção que requer maior estridência. Tudo isso entremeado por recortes da vida cotidiana. Não escapam à sua percepção as alegrias e insolvências do convívio humano, os relacionamentos que se constroem e se desmoronam ao compasso do tempo. Novamente aparecem imagens-metáforas de choque e confronto, como no poema “Voz por toda parte”: “um acordo fiz contra o acordo:/ jamais ressuscitar a dor,/ ser amor presente/ e voz por toda parte”. Ou nas duas estrofes de “Premonição”: “A cidade aflita deixa existir:/ o caos, o medo, o pânico/ em mim.// O medo prometeu/ embora (ainda) acorrentado/ transgredir o fim.”

Natanael Lima Jr. publicou, na década de 1980, os livros Clarear, Universo dos meus versos e Folhas poéticas. Continuou a escrever, editou jornais alternativos e interagiu com outros poetas. E participou do ambiente cultural e literário de cidades como Cabo de Santo Agostinho (onde nasceu) e Jaboatão dos Guararapes (onde reside).

Somente agora se decidiu a mostrar um novo trabalho, que contém, nas páginas finais, talvez para lembrar sua persistência na escrita, poemas mais antigos. Aqui se detecta um sinal claro de que não abandonou a poesia, feito outros que a deixaram por atividades mais sóbrias ou rentáveis.

Em À espera do último girassol outro dado importante é a seleção de poemas, que somam um número relativamente pequeno, mas que configuram um livro enxuto e criterioso. Uma preocupação com a técnica literária permeia esses poemas, embora não se traduza em obsessão ou ideia fixa. E assim é que tudo nos seus versos parece ser pensado, provado, experimentado e ao fim ajustado a formas relevantes em sua consecução. Quando o poema parece ter alcançado um nível simplificado de compreensão, o autor introduz uma metáfora mais arrojada, um insight mais ousado para levar o leitor a pensar. De perplexidade e espanto, de numerosas surpresas é também feita e elaborada a poesia. Os poemas de Natanael Lima Jr. assumem esses e outros efeitos instigantes e os transmitem aos seus possíveis leitores. Leitores que também são poetas em sua empatia, irreverência ou isenção, e que guardarão a alegria e o privilégio de lê-lo.





*Luiz Carlos Monteiro

é poeta, escritor e crítico literário,

mestre em Teoria da Literatura pela UFPE.



Recife, 2011

(texto escrito um mês antes do seu falecimento.)


12/11/2011 Publicada por Cicero Melo

  
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